IDP

LAIPP

Laboratório de Avaliação & Inovação em Políticas Públicas

20 out 2020

O PIBID tem contribuído com o desempenho acadêmico de seus bolsistas?


Pesquisador responsável: Eduarda Miller de Figueiredo

Título do artigo:  PROGRAMA INSTITUCIONAL DE BOLSA DE INICIAÇÃO À DOCÊNCIA (PIBID): DESEMPENHO DE BOLSISTAS VERSUS NÃO BOLSISTAS

Autores do artigo: Adriana Castro Araujo, Wagner Bandeira Andriola e Afrânio de Araújo Coelho

Localização da intervenção:  Universidade Federal do Ceará

Tamanho da amostra: 2.193

Grande tema:  Educação

Tipo de Intervenção: Avaliar a eficiência do PIBID

Variável de interesse principal: Índice de Rendimento Acadêmico (IRA)

Método de avaliação:  Outros – pesquisa de campo de natureza descritiva

Problema de Política

Conforme Andriola (2012), o aprendizado é uma “mudança comportamental qualitativa e estável, ocorrida nos processos mentais de memorização, compreensão, aplicação, análise, síntese e julgamento, dentre outras”. Esse processo está contemplado na formação do aluno.

O Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) é uma política pública de formação de professores, onde o seu principal objetivo é atrair melhores profissionais para atuarem nas escolas públicas, contribuindo com uma melhora na educação básica pública do país. Assim, o programa foi instituído através do artigo 62, parágrafo 5° da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), com o objetivo de incentivar o magistério, instigando a carreira docente na educação básica pública. O PIBID apesar de ter demonstrado êxito nos seus objetivos, os problemas que existem na educação básica do Brasil ainda atrapalham a captação dos professores com maior qualificação (ARANTES, 2013).

Contexto de Implementação e de Avaliação

A intenção de avaliar o programa é para obter diagnósticos que possibilitarão o planejamento de ações para seu aprimoramento, além de auxiliar na tomada de decisões dos gestores e formuladores de políticas públicas (ANDRIOLA, 1999). Visto que é na fase de avaliação que é possível constatar se os objetivos primários foram alcançados, aprimorar as ações e decidir se haverá continuidade do programa ou a criação de um novo (FREY, 2000).

Este tipo de avaliação é de extrema importância para a educação superior, pois o programa está incluso numa esfera de políticas públicas para a educação. Logo, torna-se necessária observar seus efeitos do ponto de vista dos “processos de fiscalização e qualidade educacional” (SOUSA et al., 2016). Dessa forma, a avaliação do PIBID ocorrerá na Universidade Federal do Ceará (UFC), onde o programa contempla as licenciaturas tipificadas no edital da CAPES[1] como prioridades. Sendo as disciplinas de Ciências Biológicas, Física, Química, Matemática e Filosofia. Além da disciplina de Letras-Português, que contribuiria com as outras áreas através da melhora de compreensão, leitura e escrita.

Detalhes da Política

O PIBID atendia em torno de 3 mil bolsistas quando iniciou em 2007. Em 2011 esse número chegou a quase 30 mil e, atualmente, possui mais de 90 mil bolsistas. As avaliações pontuais do programa demonstram efeitos em relação à motivação dos estudantes para se tornarem docentes e em relação à melhoria da formação dos profissionais que são os supervisores dos alunos participantes do PIBID (ANDRÉ, 2012). Além disso, Silveira (2013) observou os universitários entenderam que a prática do magistério é além do que o domínio dos conteúdos dados em sala de aula.

A avaliação do PIBID ocorrerá na Universidade Federal do Ceará (UFC), onde o programa contempla as licenciaturas tipificadas no edital da CAPES[1] como prioridades. Sendo as disciplinas de Ciências Biológicas, Física, Química, Matemática e Filosofia. Além da disciplina de Letras-Português, que contribuiria com as outras áreas através da melhora de compreensão, leitura e escrita.

Método de Avaliação

O objetivo do artigo é de avaliar e comparar o desempenho acadêmico dos bolsistas do PIBID e dos não-bolsistas, através do Índice de Rendimento Acadêmico (IRA) que a UFC calcula em cada disciplina cursada por meio das avaliações de rendimento acadêmico do bolsista. Além disso, ainda é levado em conta a nota dos cursos no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (ENADE) e o turno de funcionamento dos cursos.

Para isso, realizou-se uma pesquisa de campo de natureza descritiva com 2.193 egressos das licenciaturas da Universidade Federal do Ceará dos períodos de 2009/2 até 2015/1. Dessa amostra, comparou-se o grupo de ex-bolsistas do PIBID, que representavam um total de 209 indivíduos (12,3% da amostra), com os 1.924 não bolsistas (87,7% da amostra).

Resultados

Os bolsistas do PIBID apresentaram uma homogeneidade no desempenho acadêmico em contraste com os não bolsistas, principalmente em cursos com o conceito ENADE mais elevado. Quando não observado o conceito ENADE, os valores médios do Índice de Rendimento Acadêmico (IRA) dos bolsistas do programa apresentam valores superiores. Conforme o gráfico abaixo:

Gráfico de linhas com valores médios dos IRA, conforme o conceito ENADE do curso.

Com essa diferença de IRA, os autores puderam observar que os bolsistas do PIBID desenvolveram melhor suas capacidades cognitivas e a assimilação dos conteúdos curriculares, em comparação com os não bolsistas.

Em relação aos turnos dos cursos, o estudo conseguiu observar que o IRA sempre foi inferior nos cursos de turno diurno, comparando para os cursos de turno misto ou noturno. Além disso, os resultados continuam confirmar que independentemente do turno de funcionamento do curso de graduação, os bolsistas do PIBID obtêm desempenho acadêmico qualitativamente superior aos não bolsistas.

Os resultados encontrados neste artigo corroboraram estudos como o de Darroz e Wannmacher (2015), que também apontaram benefícios do PIBID na formação dos universitários bolsistas. Logo, o PIBID tem sido um programa que proporciona oportunidades e vem enriquecendo o aprendizado.

Lições de Política Pública

Os resultados positivos que são demonstrados no estudo mostram a importância do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência para a formação dos universitários. Estes, além de obter melhor rendimento acadêmico, com diferenças substantivas na qualidade do aprendizado dos seus bolsistas, incentivou o exercício do magistério.

Conforme os autores citam no artigo, Albert Einstein uma vez referiu “não ensino aos meus alunos. Crio condições para que aprendam”. Esse seria a essência do PIBID, que vem sendo cumprida. Afinal, o programa tem agregado valor na formação dos discentes, enriquecendo-os com experiências para que, futuramente, tornem-se profissionais da arte de ensinar.


[1] CAPES – Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior.


[1] CAPES – Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior.

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